domingo, 27 de fevereiro de 2011

Humanos, acima de tudo

Tenho bastante consciência de que se tivessem que me definir em poucas palavras, muitas das pessoas - tanto as que me conhecem bem como as que trocaram poucas palavras comigo - pensariam logo em duas coisas. Harry Potter e feminismo. Quanto à primeira, não restam dúvidas. Mas a segunda, embora também me descreva, precisa ser esclarecida. É incrível como tem gente que ainda não compreende as minhas idéias.

Várias horas da minha vida eu gastei discursando em favor das garotas, brigando com quem as subestimava, lutando contra estereótipos. Eu briguei muito, fiquei mal, xinguei o mundo. E eu mesmo me intitulava de feminista, e talvez tenha chegado a afirmar que as garotinhas deveriam ganhar a guerra dos sexos.

Mas as coisas mudam. Eu abracei a causa quando tinha, sei lá, uns 14 anos de idade. Não se tem muita coisa na cabeça nessa época (não que agora eu tenha, mas de lá pra cá muitas coisas aconteceram!).

Vivo pensando nos meus conceitos (pra que servem as horas solitárias na Paulista e no ônibus, right?) e nos últimos tempos, acho que cheguei à conclusão de qual é, realmente, a minha causa. Creio que tudo se resume a uma palavra, e nem é igualdade: é a liberdade.

Há uma frase da famosa feminista Simone de Beauvoir que diz que "a gente não nasce mulher; se torna mulher". Lya Luft discordou disso no livro que eu estava lendo ontem, mas eu tenho que concordar. Existe uma construção social muito densa, que pesa demais sobre a vida. Já disse isso pra muita gente, mas vou registrar aqui de uma vez por todas.

Meninas vestem rosa, meninos vestem azul. Elas brincam de boneca, eles de carrinho. Elas sentam de perna fechada, eles falam palavrão. Por que isso? Já perguntaram pras garotas se elas querem brincar de boneca? Tudo bem, a maioria pode querer. E as outras? Condenadas a seguir o resto? Se fosse uma impossibilidade de agradar a todos... mas não é! Neste caso é perfeitamente possível atender a cada um. Compreendem quando a senhora Beauvoir fala de se "tornar" um gênero?

Aí vem a questão da liberdade, que eu disse ali em cima. Tínhamos que ser livres para escolher. Pombas, e aí, eu sou uma garota que gosta de brincar de carrinho, tem algum problema? E eu não uso saia, portanto vou sentar do jeito que bem entender. Me irrita muito aquela frase: "Homem falando palavrão é feio. Mulher é mais feio ainda!" POR QUE? Eu nasci XX e por isso tenho que ser meiga, doce e usar um vocabulário todo fofo, é isso? Não, cacete! Se você acha que usar palavreado chulo é feio, que seja feio igual para os dois. A frase ali parece boba, mas prestem atenção porque ela exemplifica muito do que quero dizer: pressupõe todo um comportamento construído especificamente para garotas e garotos.

Na minha cabeça é tão simples de entender. Eu só quero ter liberdade para agir sem me basear nos meus cromossomos. E não venham distorcer minhas ideias: eu não estou dizendo que homens e mulheres são iguais. Não são meeesmo. Sim, existem diferenças, mas na boa... não gosto de estereótipos. Prefiro pensar nas diferenças individuais... o mundo tem 6 bilhões de pessoas; chega a ser patético querer dividi-lo ao meio e achar características que definam uma metade e outra metade. Pra mim as diferenças pra valer não vão muito além do biológico, não.

Tão seguindo a minha linha de pensamento? É muito difícil me expressar e organizar as idéias; sei que tá ficando meio bagunçado.

Tenho que dizer aqui, antes de mais nada, que eu tive sorte, porque fui criada numa família (entenda-se família aqui como "pais") que sempre me deu muita liberdade de agir como eu queria. Não me davam mais bonecas quando viram que eu não gostava e nem me obrigavam a usar saia.

Já meus parentes do lado materno, que acabou sendo com quem eu convivi e viajei mais, é muito diferente de mim. Não vou ficar desabafando aqui, até porque temos que ser superiores e relevar... Mas pequenas coisas sempre aconteceram, que machucaram muito e provavelmente ninguém percebeu. Estou seguindo o conselho de uma pessoa que, certa vez, conversando comigo sobre esse lance feminista, me disse pra não ficar "olhando" pra esses preconceitos. Ela me disse: "simplesmente olhe pro outro lado. você só vai se desgastar se fixar em cima disso". E é verdade.

Mas fica a dica: it's all about choice. Se você é feliz brincando de casinha e usando vestido, vai fundo! Se você quer casar e cozinhar pro maridão, ótimo! Se você quer trabalhar fora e pagar uma empregada porque odeia limpar a casa, ótimo também. Entendem agora? Eu não critico, absolutamente, uma mulher que gosta de cozinhar e ficar em casa. Critico quem faz isso porque acha que é o que mulheres fazem. Se você faz realmente porque gosta, então tá tudo certo! É tão simples. Pense em cada pessoa como um SER HUMANO e não como um garoto ou garota. O mundo será mais feliz, garanto-lhes. E eu também.

3 comentários:

  1. Não seria mais ideal ter inserido o texto em questão num dia mais adequado?Suponhamos num dia próximo que você pudesse criticar por sua carga de preconceito implícito...Humm, vejamos, o que poderia ser???HOJE, 8 de março, Dia Internacional das Mulheres =P

    Ôminina, use seus poderes de administradora total e única do fórum e mude o dia aí, vá =S

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  2. quem e esse???
    humm e o q vc acha dessa "carga de preconceito implicito" ha?

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  3. O X é a incógnita total e suprema!

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